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30/08/2012

Provérbios Chineses - 02


"Agitar uma machadinha diante do portão do mestre Lu Ban"
Neste provérbio existem dois grandes homens da história chinesa:
O primeiro, Li Tai Po, conhecido como "poeta imortal" ou "anjo predestinado", viveu entre os anos de 701 e 762 da nossa era. Escrevendo sob permanente embrieguez (o que na China não tem a conotação negativa que tem no ocidente, sendo, pelo contrário, um estado considerado propício à criação de obras-primas.) Li Tai Po é o maior lírico de toda a literatura chinesa, o poeta chinês mais traduzido e mais conhecido no mundo ocidental. (Á parte: Eu também quero ser uma escritora famosa! Este embebeda-se e é o mais famoso e lido!! O.O ok... vou embebedar-me de Coca-cola antes de escrever u.ú)
Li Tai Po morreu afogado aos 61 anos de idade. Segundo reza a historia, atirou-se a um rio quando, embriagado, tentava abraçar o reflexo da Lua nas águas, na vila de Tan Tu. O seu túmulo, que se encontra nesta povoação, tornou-se um canto muito visitado pelos literatos. Cada um dos artistas escreve um poema nos muros ou nas pedras que se encontram perto do túmulo do poeta, todos em sua homenagem.
A segunda personalidade é o mestre carpinteiro Lu Ban, ao qual nenhum carpinteiro chinês das gerações que lhe seguiram deixou de render o mais elevado tributo.
Também o poeta Mei Zhi-huan, do período da dinastia Ming, visitou o túmulo de Li Tai Po, junto ao qual escreveu os seguintes versos:
Um túmulo á beira do rio
Brilha durante milhares de anos com os seus poemas.
Quem o visita deixa algumas linhas
Como se agitasse uma machadinha
Diante do portão de Lu Ban.
E assim nasceu o provérbio: "Agitar uma machadinha diante do portão do mestre Lu Ban" com o sentido de ostentar uma habilidade ante o melhor entendedor do assunto. Hoje o provérbio é usado em duas situações diferentes, como em critica ou em caso de modéstia.


"O pescador aproveita-se da luta entre o grou e o mexilhão"
No livro chinês Lendas dos Reinos Combatentes, obra de há dois mil anos atrás, aparece a história "O pescador aproveita-se da luta" entre o grou e o mexilhão.
Um dia, um grou avistou um mexilhão na praia, mesmo pronto a ser comido. Lançou-se para comê-lo. Mas o mexilhão, apertou o bico da ave para o impedir de o comer.
Assim teve inicio uma tremenda luta.
O Grou disse:
-Bastam dois dias sem chuva para que morras de sede aqui na praia!
-Bastam dois dias para tu morreres á fome! -Respondeu o mexilhão.
As horas passaram e já os dois estavam cansados mas sem nenhum deles desistir... Nessa altura, passou um pescador, que, sem qualquer esforço, levou o grou e o mexilhão para casa.
Usou-se então o provérbio O pescador aproveita-se da luta entre o grou e o mexilhão, que se usa quando duas partes lutam uma contra a outra, beneficiando assim uma terceira.


"O receio do homem de Qi acerca do céu"
Existem pessoas que têm medo de tudo e mais alguma coisa.
Há três mil anos, havia na região centro da China um pequeno reino chamado Qi. Nesse reino havia um homem que se preocupava com tudo:
-Ai, o céu é tão grande, tão alto... Se cair o que poderei eu fazer? Onde me hei de esconder? Tenho de procurar um esconderijo para fugir á catástrofe!
Um amigo lhe respondeu:
-O céu é só ar, apenas ar que tu respiras todos os dias... Quer dizer, tu vives no próprio céu. Porquê tanto receio?
-O céu pode não cair... Mas o Sol, a Lua, as estrelas... não vão cair? E se a Terra se abrir o que poderei eu fazer?
Desta lenda nasceu o provérbio que ainda hoje os chineses usam para descrever  os medos, preocupações e inquietações.

Créditos do livro: Cem provérbios Chineses.
Recolha e comentários de Fan Weixin

17/06/2012

Provérbios Chineses - 01



"A própria lança contra o próprio escudo"
Este provérbio consta do livro de Han Fei Zi, obra publicada há cerca de dois mil anos.
Havia um homem que vendia lanças e escudos numa feira e exagerava nos elogios da mercadoria:
-Reparem! As minhas lanças são as mais aguçadas, furam qualquer coisa, por mais resistente que seja!
Logo depois de elogiar as suas lanças, falou dos seus escudos:
-Comprem os meus escudos! São os mais resistentes que pode haver! Não existe arma capaz de os perfurar!
Nesse momento, houve um homem que perguntou:
-Então... o que acontece se uma das suas lanças atacar um dos seus escudos?
O vendedor não obteve resposta.
E assim nasceu este provérbio. "A própria lança contra o próprio escudo"
Indica uma contradição. Em chinês, a palavra que significa "contradição" ou "contraditório" é formada por dois ideogramas: mao e dum.
Mao significa "lança", e "dum" significa escudo. Ora o provérbio também tem a ver com ideogramas utilizados ainda hoje.


"A raposa morre de cabeça voltada para a sua colina"
O provérbio tem origem do grande poeta Qui Yuan . Nascido no ano 340 antes da nossa era, foi ministro do reino de Chu e poeta da antiguidade chinesa. Caluniado por colegas desonestos, foi desterrado e passou os seus últimos anos na pobreza, isolamento e angustia, mas nunca se esqueceu da sua terra natal e do seu povo.
Em 278 a.C. as tropas do poderoso reino de Qin invadiram o reino de Chu, ocupando a capital. O rei eos ministros fugiram, pelo que pela má conduta dos ministros, o reino ficou á beira da ruína. Qui Yuan, atormentado pela tristeza, lembrava-se ainda mais da sua terra natal. tendo então escrito os seguintes versos:
"Os pássaros voam, mas voltam sempre ao ninho.
A raposa morre, mas morre sempre com a cabeça voltada para a sua colina."
Após escrever estes versos, suicidou-se, afogando-se no rio Mi Lo, no 5º dia do 5º mês do calendário lunar.
Ainda hoje os chineses comemoram essa data. Neste dia têm lugar as corridas dos barcos-dragão e comem-se os "chong", bolos de arroz glutinosos embrulhados em folhas de bananeira.
Assim ficou o provérbio "A raposa morre de cabeça voltada para a sua colina" para quem tem saudades da sua terra natal.


"Acrescentar pernas á serpente"
Como sabem, os dragões são muito populares na China. Os imperadores consideravam-se e eram considerados pelos seus súbditos dragões enviados á Terra pelo Deus do céu, ou filhos do dragão.
Entre os chineses, este provérbio é usado para criticar alguém que já tendo completado um trabalho, insiste em acrescentar-lhe retoques desnecessários.
No reino de Chu que existiu na antiguidade chinesa, houve certo dia, uns criados a quem o patrão deu uma garrafa de aguardente que havia sobrado nos rituais em memoria dos antepassados. E Pôs-se em questão:
-Uma garrafa para tanta gente?! Não dá... é melhor ficar para apenas um de nós.
Todos concordaram com a ideia. Mas quem abriria mão de ficar com a garrafa? Resolveram então desenhar cada um, uma serpente no chão e quem acabasse primeiro, ficaria com a garrafa.
Passado alguns minutos, um deles acabou o desenho. Agarrou a garrafa e deu um gole. Mas reparou nos amigos que ainda estavam a desenhar as suas serpentes e nem a cabeça delas tinham ainda acabado. Lembrou-se então de que poderia fazer umas pernas á serpente, para que esta ficasse ainda melhor.
Enquanto este retocava a sua obra, outro criado acabou a sua serpente. Retirou a garrafa das mãos do outro e disse:
-As serpentes não têm pernas! Com pernas, não seria uma serpente, mas sim um dragão!
Dito isto, bebeu tudo o que continha a garrafa num só trago.
E assim ficou o prevérbio: "Acrescentar pernas á serpente" que se usa para quando alguém faz esforços desnecessários...


Créditos do livro: Cem provérbios Chineses.
Recolha e comentários de Fan Weixin
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