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24/12/2013

Milagre de Natal

Eles amavam-se, porém, o destino separara-os cruelmente. Não por amor proibido, nem por distância, ou por terceiras pessoas... Separara-os pelo pior, o temido fim.
A linha do tempo de Ryan parou no momento em que Maísa suspirou pela ultima vez. Esse fora o seu ultimo segundo de paz...
Eram felizes. Tinham uma relação amorosa muito forte, com algumas discussões óbvias de casais, mas nunca passavam mais de vinte e quatro horas em clima de zanga.

Ryan caminhava sobre a neve fria das ruas de Nova York com um casaco a mais na mão e uma mala debaixo do braço. O seu nariz pingava e os seus dedos estavam de tal modo vermelhos que dava a entender que ele nem os sentia.
Após cinco passos lentos e curtos, fez a curva da rua seguinte e entrou num café acolhedor. Sentou-se numa mesa encostada à janela com um aquecedor atrás da cadeira.
Não se sentia com disposição para nada. Não tinha lado nenhum para onde ir, não queria passar a véspera de natal com a família e por causa das festividades nem tinha trabalho, ou seja: era o seu dia de folga mais infeliz de sempre.

A atendedora do café veio em seu encontro para atender ao seu pedido:
-O que deseja?
-O que desejo não posso ter... -Disse Ryan ainda fixando a janela sem nem olhar para a empregada.
Com muita paciência, a rapariga aproxima-se um pouco mais dele, e pegando no seu bloquinho de notas e caneta insiste:
-O senhor desculpe a minha gramática mal usada. Pretende tomar algo? Um chocolate quente talvez?
-Traga-me um whisky com gelo, por favor...
A rapariga mantém-se com um olhar de espanto ainda ao seu lado. Mas já que o cliente tem sempre razão, virou costas e pouco depois voltou com o pedido do homem.
-Aqui está, tem gelo suficiente, senhor?
-A sua ironia não me afeta...
-Ironia?! M-Mas... Desculpe...
Dando-lhe as costas, a empregada vai na direção de outro cliente. Ryan finalmente olha para a empregada e fazendo sinal chama-a. A pobre coitada, já esperando o pior, suspirou e foi ao seu encontro.
-O que deseja? Isto é... o que pretende pedir?
-Sente-se aí. -Diz Ryan enquanto puxa na sua mala da mesa e a coloca no chão. Olhando para a empregada e vendo-a ainda imóvel á sua frente, insiste. -Estou a falar a sério... Se não se importa de me fazer este favor...

A rapariga sentou-se e com um gesto rápido ajeitou os seus cachos louros que lhe caíam sobre os ombros. Um pouco assustada com o que aconteceria depois, chegou-se para a ponta da cadeira como se estivesse pronta a fugir caso fosse necessário.
Ryan deu um gole no seu copo de whisky com gelo, e fazendo um som de irritação na garganta pousou o copo com alguma força. Isto assustou a rapariga e ela já se ia levantar quando ele lhe agarrou levemente o pulso.
-Espere... Só quero conversar um pouco...
A rapariga mantém-se na cadeira e pressente que vai ser uma longa manhã.
Ele compõe as costas na cadeira e olhando-a nos olhos começa:
-Não tem nada a ver com isto, eu sei, mas preciso de um psicólogo que não seja diplomado, que não venha dizer que tenho traumas ou doenças psicológicas. Pode ser apenas a minha ouvinte por uma hora?
Estranhando aquela intimidade toda, a rapariga aceitou.
-Mas não tenho muito tempo... -Disse ela olhando para o balcão reparando no olhar do patrão.
-Eu posso pagar-lhe as horas que ele lhe retirar do salário, dinheiro não é problema.
-Hum, entendo... Não lhe falta dinheiro, porém está infeliz na véspera de natal... -Reparando no olhar sério do homem, resolveu não terminar a frase. -Desculpe, eu realmente não tenho nada a ver com isso...
-Deixe-me contar-lhe o sucedido:

"Tudo ocorreu acertadamente há um ano atrás. Eu estava feliz, ela estava feliz... Tínhamos passado a manhã a comprar presentes para os familiares dela... Não que eu não comprasse para os meus, mas sabia como ela adorava percorrer cada centímetro das lojas à procura de uma prenda que chegasse à alma de cada pessoa. Com isto quero dizer: Eu não ia exatamente para comprar presentes, ia para ver o sorriso dela emocionada com a época festiva, ia para sentir a mão dela quente na minha enquanto caminhávamos, ia particularmente para a ajudar a carregar as compras para que nada lhe faltasse ou a magoasse..."

Ele fez uma pausa e deu um longo gole no whisky com gelo.
-Então está de mau humor porque a dama o deixou? -Quis arriscar a rapariga, mas logo se arrependeu, os olhos do homem fulminavam de raiva.
-Claro que não! -Gritou pousando bruscamente o copo na mesa fazendo saltar um cubo de gelo para o chão. -Ela nunca me deixaria! Ela amava-me e ainda ama!
A rapariga levantou-se para apanhar o cubo de gelo do chão, não fosse alguém cair e magoar-se. Pediu desculpa e voltou a sentar-se frente a frente daquele homem tão temperamental.
-Bem... De facto, ela deixou-me sim... Deixe-me continuar:

"Nessa noite íamos jantar com a família dela. Eles já me conheciam à muito tempo, então convidaram-me para comemorar aquela noite festiva com eles. O meu plano era pedi-la em noivado nessa noite, precisamente à meia noite em ponto, enquanto os priminhos dela abriam os presentes... Primos... Há um que eu sempre detestei... Nunca gostei daquele paspalho..."

A raiva consumia-o. Parecia que aquele ódio tão profundo lhe comia a alma.
-Então mas o que aconteceu? Se vocês se amavam tanto... Nada de mal poderia ocorrer, certo? -Perguntou a rapariguinha, afastando o copo das proximidades das mãos dele.
-Se não fosse por causa daquele imbecil, nada teria acontecido e estaríamos aqui os dois felizes e juntos hoje! Quem sabe, casados ou para casar...
-Mas então a culpa foi do primo? Não me diga que... eles gostam um do outro?! Meu Deus!
-Não! Ora, que estupidez! Já lhe disse que ela me amava verdadeiramente!
-Mas...
-A curiosidade cresceu não é? Eu vou contar:

"O primo mais velho dela, estudava na universidade na altura... Aquele idiota deixa sempre as coisas para a ultima da hora, e em vez de vir para cá logo que as férias começaram, resolveu vir ter com a família só mesmo na véspera de natal, à noite! A Maísa adorava-o... Como ela era filha única e quando era pequena só tinha aquele primo, ele era como um irmão mais velho para ela. Bom, já era tarde, a avó e os pais dela estavam a tratar do jantar e a Maísa queria ir buscar o primo à estação... É mais que óbvio que não a ia deixar ir sozinha, e como eu tenho carta de condução e ela não, ofereci-me de motorista..."

-Tinha ciumes do primo dela? -Interrompeu a rapariga.
-Não sei, talvez...
As mãos dele tremiam, não de frio, pois já haviam voltado à cor natural e percebia-se que agora estavam quentes. Ele estava nervoso... Com certeza alguma memória maligna o consumia por dentro...
Continuou:

"Ela entrou no carro com o presente que tinha comprado para o primo nessa manhã no colo dela. Estava tão feliz... Ele prometera trazer-lhe um coelhinho bebé de presente. Sendo o animal preferido dela, ele demonstrou dar-lhe alguma importância, depois de anos sem lhe dirigir a palavra... Estupor!"

-Credo, que ódio! -Exclamou a empregada afastando-se um pouco dele.

"Tinha-mos acabado de encontrar aquele palhaço na estação, quando voltámos para o meu carro e ela decidiu entregar-lhe o presente dentro do carro... O que não entendo é o porquê de fazerem tanta questão que as criancinhas abram os presentes apenas à meia noite e o primo dela pôde abrir assim sem mais nem menos dentro do carro... Bom, ele abriu e viu um envelope. Abriu o envelope e lá dentro havia dois bilhetes para o concerto da banda preferida dele que no momento não lembro o nome... Ele agradeceu e ficou em silêncio... Ela estava à espera do seu presente, e ele apenas disse - "Oh fofa esqueci-me do teu presente dentro de casa! Também não faz mal, é apenas uma lembrancinha, mando por correio depois...Espero que não te importes." -A Maísa ficou com uma expressão triste no rosto, ele realmente não se tinha lembrado da promessa... Quis dar-lhe um carinho para ela entender que eu estava ali para ela... pus a mão em cima da perna dela. Ela sorriu e eu sorri de volta. O idiota teve de interromper e dizer algo como "Mas que confianças são estas? Abusar da minha prima só eu posso!" Bem... não sei se ele estava a brincar ou a falar a sério, só sei que eu fiquei fora de mim e lhe espetei um murro na cara. E como consequência um outro carro bateu no meu... a Maísa foi projetada através do vidro da frente do carro, o idiota ficou em coma por algum tempo, e eu também... Quando acordei aquele imbecil já tinha tido alta há uma semana, e o funeral da Maísa já tinha sido realizado há quase um mês..."

A empregada horrorizada com a história nem conseguia dizer nada... Apenas segurou as mãos dele para que parassem de tremer, e ouviu com atenção cada soluço dele...
-Sabe a melhor? Se não fosse ele... Tudo estaria bem... -As lágrimas escorriam-lhe pela cara.
-Não pode culpar as pessoas pela obra do destino...
-Mas a culpa também foi minha... Se não tivesse deixado os ciumes tomarem conta de mim, nada disto teria acontecido...

Depois de um copo com água e açucar e um tempo de choro naquele café, Ryan saiu de lá com o casaco a mais na mão e a mala dele debaixo do braço. Tinha um local onde ir: A estrada onde tudo se passou.
Foi a pé, nunca mais voltara a conduzir depois daquilo. O lago por baixo da estrada estava congelado, desceu até lá para enterrar o casaco e deixar umas flores naquele mesmo local, à beira do lago.
Estava tanto frio... Ele já não sentia as mãos outra vez... Acabou por adormecer ao lado do jazido que acabara de fazer.

Abriu os olhos e era de noite. Não se conseguia mover.
Pouco a pouco via uma luz chegar na sua direção. Seria o seu fim?
-Ryan... Porque fazes isto? Ryan...
Ele reconhecia esta voz... era ela, que saudades daquela voz...
-Sabes que eu sempre te amarei... Mas não quero que estragues a tua vida desta maneira... Olha para ti, na véspera de natal aqui deitado no frio e sozinho...
Ela estende as mãos e ajuda-o a levantar-se. Ele chorava de alegria, abraçou-a e suspirou.
-Ryan... a culpa não foi do meu primo... -Disse ela limpando-lhe as lágrimas. -Nem tua parvinho...
A Maísa beijou-lhe a testa e abraçou-o novamente.
-Deixaste-me... Foi horrível suportar as horas passar sem ti. Não imaginas como foi torturante acordar todos os dias e saber que nunca mais te ia poder ver... Porque me fazes sofrer deste jeito? Volta para mim... Preferes que vá eu ter contigo?
-Não sejas ignorante! Não quero que te mates, muito pelo contrário, só estou aqui para que tenhas juízo e refaças a tua vida... Quero que sejas feliz, quem sabe, com outro alguém...
-Não quero!
-Por favor? Como meu ultimo desejo...
-Isto dói tanto...
-Não te esqueceres de mim já é um grande desejo que tenho, mas quero que ames outras pessoas, quero que vivas novos sorrisos e tenhas esperança de novos sonhos... Fazes isso por mim?

Beijaram-se e quando Ryan volta a abrir os olhos estava de novo deitado naquela campa cheia de neve.
Chorou abraçado a si mesmo. O desespero foi tanto que rasgou o próprio casaco.
Ficou horas a olhar para aquele jazido. Definitivamente a vida era muito injusta... Teria de viver com aquela dor até ao fim dos seus dias...
Voltou a deitar-se sobre o jazido de neve e um pouco depois sentiu algo a mexer na sua perna esquerda: um coelho!
Media aproximadamente dezasseis centímetros e era totalmente branco como a neve. Na sua boca estava... a caixinha com o anel de noivado que ele pretendia oferecer à Maísa no natal... Quando enterrou o casaco com o embrulho no bolso, deveria ter enterrado a toca do animal, de certo que acontecera isso...

Um coelho, um anel... Realmente ele tinha tudo, menos a personagem principal daquela história...
Levantou-se cambaleando devido á quebra de tensão que estava a ter, e subiu de novo para a estrada. O bichinho seguira-o e continuava com o embrulho na boca.
Que animal interessante. Pegou nele e colocou-o no bolso do casaco. Esquecera-se que o bolso estava furado. A pobre bolinha de pêlo branca caiu do bolso e foi parar bem no meio da estrada. Carros da direita e da esquerda, o animal não tinha qualquer hipótese, mas mesmo assim saltitava na direção do seu dono escolhido.
Naquele momento, Ryan teve uma espécie de "déjà vu" do que acontecera há um ano atrás e correu para apanhar o coelho. Um carro travou a fundo e conseguiu impedir o pior. Sim, desta vez tudo foi diferente. A sua amada estava a salvo nas suas mãos...

Palavras da Autora: E pronto é só... Espero que tenham gostado desta histórinha escrita por mim. Sei que é triste mas foi feita com coração e foi para isto que a inspiração deu...
 Mesmo assim espero que gostem. Beijo :*

Feliz Natal,
Bunny Freire

25/07/2013

Lua do Amanhecer - 01


Gente, sabiam que hoje é dia do escritor...? Pois é! \0/
Esta história é sobre um amor proibido e desejado da minha autoria. Nem é preciso dizer que não aceito plágio, certo...?
É uma história um pouco "hot" então se não tem idade suficiente, por favor, não leia.
É sentimental até ao mais alto nível, espero que goste ;)
Bunny~

-Pára! Já chega, larga-me! - Gritou Lorena enquanto dava safanões com uma mão e batia no corpo do rapaz com a outra. -Já estou farta de ti! Far-ta!!!
-Ah, Lorena qual é a ideia? Pára de ser histérica e mimada... -Respondeu Paul enquanto agarrava os pulsos de Lorena para que ela parasse de lhe bater. -Vamos resolver isto a bem ou a mal?
-Larga-me idiota! Larga já!!
Um passo para trás de Lorena, fez Paul desequilibrar-se e automaticamente ter de a largar.
Lorena pegou na sua mala, ajustou a roupa, e com os olhos brilhantes de raiva gritou:
-É que nunca mais! Nunca mais me levantas a mão!
-Mas eu levantei e não cheguei a fazer nada...
-Levantas-te-me a mão em ameaça! Acabou, não quero saber de mais nada, adeus!
Saiu a correr da garagem da casa de Paul, e enquanto os cabelos dançavam ao vento o choro consumia-a ao longo da estrada...

Chamo-me Lorena Tissou, tenho 16 anos e não me dou muito bem com o amor... Deu para ver com este meu namorado... Bom, agora já é ex... Deus porquê? Porque é que não me mostras o caminho certo...? Sou sentimental... tão sentimental que sinto uma grande necessidade de ser amada, acarinhada, protegida e adorada por alguém especial... Sou nova para isto, eu sei, mas depois de sentir o primeiro gosto do beijo sinto que estou pronta para qualquer coisa. Tudo o que quero é encaminhar a vida e sentir que me amam... Somente isso...

Chegou a casa, descalçou os saltos altos, limpou as lágrimas e subiu as escadas rapidamente para o quarto sem nem sequer acender as luzes naquela madrugada escura. Pegou no seu mp3, abriu a janela que dava para o telhado e subiu até lá, mantendo a esperança de se acalmar olhando para as estrelas.
O seu irmão, Keith viu a janela aberta e subiu para o telhado também. Vendo a irmã em estado de tristeza sentou-se ao lado dela e encostando-a ao seu peito com calma, acarinhou-lhe os cabelos negros.

-Estás bem? O que se passou?
-Nada... -Respondeu Lorena soluçando.
-Lorie... Conta-me... -Sussurrou Keith passando-lhe a mão pelo rosto. -Estou aqui para ti... Sabes que não suporto ver-te nesse estado... Então conta de uma vez se não, mudo de humor...
-Oh... Nada... - Lorie levantou o rosto e deparou-se olhos nos olhos com o irmão. -Foi o Paul...
-Sabia! Eu avisei-te! - Disse Keith elevando a voz sem se dar conta. -Eu já sabia! O que é que aquele canalha te fez? Bateu-te? Vou espancá-lo!
-Não! Não me fez nada... mas tentou...
-Vou matá-lo...
Lorena soluçou e Keith abraçou-a fortemente. Afastando-lhe os cabelos do rosto e beijando-lhe a testa sussurrou:
-Calma... Eu vou ter com ele...

Ficaram ali a olhar para cada estrela do céu. Por cada suspiro de Lorena uma batida do coração de Keith doía.
Os segundos transformaram-se em minutos e depois em horas, e quando Keith reparou, Lorena já dormia encostada a ele, encostou-se a ela também e assim ficaram até de manhã...


25/04/2013

Pensamentos da Madrugada

Pensei que podia viver sem ti mas agora entendo que tudo o que tinha eras tu...
Os dias passaram e eu tenho saudades de tudo aquilo que tive e de tudo que queria ter ao teu lado.
Sempre que vou dormir lembro-me do teu rosto, sorridente e carinhoso, mas durante todas as noites acordo a altas horas da madrugada com a imagem dos teus olhos cheios de ódio e afogados em lágrimas salgadas...

É triste a maneira de despedida ao longe... O autocarro em andamento e tu a correr atrás dele, com esperança que aquela que estivesse lá dentro não fosse eu... com a adrenalina em ação, as pernas em forma e os braços esticados o mais que possível para me alcançar...
Doloroso mas eu pensei que fosse o certo, precisava de me afastar, eu tinha que viver uma vida... uma vida que pensei ter longe de ti...
Porém, enganei-me. Não dá para estar longe, não dá para não te recordar em mais de quinhentas memórias da minha mente, não dá para sobreviver...
Quem me dera sofrer de amnésia e sobrevoar o céu do esquecimento, porque não posso voltar atrás nem posso andar para a frente.

São quatro horas da manhã, e não consigo dormir... Estou deitada no chão porque a cama traz-me demasiadas recordações. Enquanto olho para uma janela e penso em como a Lua tem sorte, porque sempre que ela se cansa das estrelas tudo o que tem a fazer é cobri-las com as nuvens, mas se caso se arrepender pode descobri-las e tudo fica bem... Tenho inveja do céu, porque enquanto eu estou aqui num mar de desespero, ele pode olhar para ti na calma da escuridão...
Adorava poder voltar atrás... Adorava poder estar contigo, enroscada nos teus braços, aninhada no teu corpo... Mas nada disso é agora possível...

17/07/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 11) [Fim]

Clica aqui e lê a décima parte


Ao som da orquestra da igreja, vestida de branco, com um buquê de lírios na mão, Zóia caminhava até ao altar onde se encontrava Ethan.
Ela estava linda, porém, triste. Nos seus olhos verdes via-se a tristeza negra. Nos seus lábios, por detrás do batom vermelho, via-se o pedido de socorro que ela tanto implorava.
Parou de andar e agarrou o braço de Ethan. Enquanto o padre falava, Zóia engolia em seco.
"...fale agora ou cale-se para sempre..."Estas palavras ecoavam na mente de Zóia. Repetiam-se como se a perseguissem até á morte... Mas logo depois seguiram-se outras ainda piores:
-Zóia, aceita casar com Ethan Drave Othan?
Os seus olhos fecharam-se para tentar fugir á realidade, e os seus lábios entreabriram-se para dizer um baixo "sim".
Por momentos, Zóia deixou de ouvir. Ficou surda... Num mundo paralelo, talvez...Mas umas outras palavras a despertaram para a realidade:
-Declaro-vos marido e mulher! Pode beijar a noiva.
Zóia abre os olhos e vê Ethan a baixar-se, tentando alcançar os seus lábios. Um beijo aconteceu, e lágrimas de terror, tristeza e agonia escorreram pelo rosto de Zóia.
Logo depois, Ethan pegou na mão dela e levou-a para fora da igreja.
Arroz era atirado para eles, gritos de alegria e satizfação eram ouvidos de pessoas que Zóia nem conhecia, mas supostamente seriam familiares de Ethan.
Tantos barulhos, arroz, Cindy, Ethan, casamento, aceitação, pais, doenças, morte, tio Morris, beijo, noite... Zóia não aguentou mais, a cabeça dela estava demasiado cheia , largou a mão de Ethan, violentamente retirou o véu da cabeça e... desmaiou...

Dezanove horas. Zóia abriu os olhos e ali estava Ethan.
Segurava na mão dela, com uma cara séria e assustadora.
-Acordou? Pois não era sem tempo! Daqui a pouco partirei, minha esposa. Só voltarei para a semana, e teremos aí a nossa lua de mel...
Dito isto, Ethan levantou-se e saiu do quarto. Zóia estava confusa, mas logo depois relembrou o que tinha acontecido.
Então era assim? Ethan só queria casamento e depois partiria? Deixando-a ali doente, com possíveis vírus que mataram a irmã...

A semana passou e Ethan regressou. Encontrou Zóia pálida e magra como se fosse desfalecer a qualquer momento.
Ela levantou-se da cama ao vê-lo, mas desequilibrou-se como se não soubesse andar e caiu no chão. Começou a chorar... Ethan pegou nela ao colo imediatamente e deitou-a na cama.
-Zóia... -Disse ele olhando-a olhos nos olhos. -Voltei...
Entreabrindo os lábios secos e rebentados da febre, Zóia responde:
-Queria dizer para nunca mais voltar, mas não consigo...
-Eu sei... Tem razão para me tratar assim... Tem razão até para me dar um tiro! Mas gostava de me explicar... -Ethan limpou as lágrimas do rosto dela, e continuou a passar as mãos pela pele macia acariciando-a. -Depois continuou: -O noivado foi por dinheiro, verdade... uma autêntica farsa! Mas o amor é real... Aquela noite foi a consequência do amor que cresceu mais, e mais, e mais... Zóia, eu a amo!
Dizendo isto, Ethan beijou-a. Zóia sentiu-se novamente a escaldar, sentindo o toque dos lábios dele e os seus dedos percorrerem o corpo dela. Até que ela o afastou bruscamente:
-Mentiroso! Como? Como é capaz de me amar se me deixou aqui sozinha uma semana inteira? Como? -As lágrimas escorriam dos seus olhos verdes de raiva.
-Tive os meus motivos... -Respondeu Ethan calmamente.
-Pois sim!
-Venha, eu ajudo-a a vestir-se. Quero que me acompanhe...
Ethan vestiu Zóia, tal e qual como Catherin fizera em outros tempos.
De seguida foram num coche por uma estrada de terra batida.
Zóia fora o caminho todo com a cabeça deitada no ombro de Ethan. Levemente, ele levantou-a e ajudou-a a sair do coche. Estava em casa!
-Esta semana que passou, estive ausente construindo um altar em madeira ao lado da casa dos seus pais. O meu sogro ajudou imenso! Pretendo fazer tudo como deve ser... Foi forçada a casar comigo, mas assim não gosto... Zóia Street Dail, aceita casar comigo e tornar-se uma Othan?
Zóia sorriu como não fazia á muito tempo. Abriu os braços e abraçou Ethan. Não tinha muita força nas pernas, o que a fez cair, mas desta vez Ethan estava ali, forte e ágil, pegando nela e ao ouvido sussurrou:
-Perdoe-me por a ter deixado sozinha em casa uma semana inteira, prometo agora não a largar nunca mais!

Agora Zóia tinha o vestido creme  com que a mãe tivera casado com o pai. Nas mãos segurava um ramo de rosas alaranjadas do jardim de Ethan que ela tanto gostava. Concretizou-se assim o verdadeiro casamento entre eles.

De noite, Zóia ainda tinha o sorriso nos lábios. Ethan aproximou-se e acariciou-a. De repente, Zóia ficou muito séria.
-Ethan... não deveríamos ter casado...
-Que tolice! Já se cansou de mim?
-Tenho pouco tempo de vida... Estou com os mesmos sintomas que a Cindy...
Ethan riu e beijou levemente a ponta do nariz de Zóia:
-Não tem pouco tempo de vida nada! Que estupidez!
-Mas é a verdade!
Ele beijou-lhe o pescoço e depois sussurrou:
-Não... eu falei com o doutor... a única doença que você tem é a gravidez, Zóia...
-O quê?!
-Isso mesmo, minha donzela... Vamos ter um bebé... Você só estava doente por culpa da sua louca aventura á chuva... A minha doidinha podia ter apanhado uma pneumonia séria!  Sorte que não foi o caso...
-Ethan...
-Sim?
-Quer um menino, ou uma menina?
-Uma menina igual á mãe. Vamos chamar-lhe Zara. -Disse Ethan, rindo enquanto colocava um colar no pescoço de Zóia.
-Oh! Tem um "Z" de rubi! É uma jóia linda!
-Não Zóia... a mais bela jóia é você...


Palavra da autora: Bem, espero que tenham gostado ^^
Na minha opinião foi a historia que mais levei a sério de todas as que escrevi neste blog.
Diverti-me a escrever, espero que se divirtam a ler. Por favor comentem a vossa opinião, é útil para uma futura escritora ;)

P.s. para a Bia: Sim... a Zóia teve um final feliz, espero que tenha sido do teu agrado. ^^

11/07/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 10)

Clica aqui e lê a nona parte


Perdida no meio do mato, e afogada nas suas mágoas, Zóia não sabia para onde ir nem o que fazer. Sempre que arranjava forças, levantava-se e continuava caminho para onde Deus a levasse.
Avistou uma estrada de terra batida. Reconheceu-a imediatamente! Correu o mais que pôde e enquanto as lágrimas lhe escorriam pela cara a baixo, gritava o mais que podia:
-Cheguei! Meu Deus cheguei!
Já não aguentava mais, mas mesmo a rastejar, com os pés, as pernas e os braços em carne viva, ela continuava, não iria parar até chegar ao fim daquele caminho!

Finalmente chegou. A sua casinha de madeira estava ali mesmo, entre as flores selvagens da pradaria.
Zóia já não se aguentava nas pernas e foi a rebolar pela colina abaixo.
A mãe dela saiu da casinha de madeira e foi em seu socorro, ajudando a filha a levantar e apertou-a tanto que Zóia não aguentou e vomitou.
-Desculpe, mãe não aguentei a promessa de não chorar...
-Sofres-te muito, não foi minha filha? Mas agora estás aqui!
-Mãe... A Cindy... ela... ela morreu!
Entre lágrimas, desespero e tristeza, mãe e filha abraçaram-se. O mau estado fisico e psicológico de Zóia chocavam a mãe. Mas algo mais a preocupava:
-Como chegas-te até aqui?
-Fugi... -Disse soluçando.
-O quê?! O teu tio não te vai perdoar! Zóia... ele vem buscar-te a qualquer momento! Ele sabe que virias para aqui...
Zóia caiu de joelho no chão. Abriu a boca para dizer algo e vomitou de novo. Algo não estava bem.
-Só espero que não tenhas a mesma doença que... a Cindy... Oh meu Deus! Porque levasteis a minha menina? Porquê?! -A mãe de Zóia ajoelhou-se perto dela e entre o triste choro, abraçou-a. -Ela também começou com vómitos, depois desmaios e por fim a febre! Filha, por favor, não me abandones tu também! Cura-te! Acho que deves ir para casa do tio Morris...
-Para quê?! Para morrer sem voltar a ver os meus pais? Foi assim que a Cindy morreu! Com a promessa de eu a trazer de volta á pradaria...
Num choro desesperado, as duas levantaram-se e entraram na casa.
Zóia passou a noite a chorar. Não conseguia dormir, e à hora de almoço não conseguira comer. Estava numa profunda depressão.
Na manhã seguinte um cavalheiro nobre bateu á porta. Apresentava-se como Ethan Othan:
-Pretendo falar com a senhorita Zóia Dail, ela encontra-se aqui, não é verdade?
-Bem... -O pai de Zóia exitou.
-Deve ser o pai dela, presumo, senhor Dail?
-Sim, eu mesmo... E você? Perdão... o cavalheiro?
-Ethan Othan, como já disse... Preciso de falar urgentemente com a sua filha... Por favor, meu futuro sogro, eu lhe imploro.
O pai de Zóia, agora demonstrava o seu espanto:
-Futuro quê?!
-Perdão... -Disse Ethan enquanto entrava pela casa a dentro. Correu a casa toda. Saudou a mãe de Zóia com a maior das gentilezas e até cumprimentou o cachorro, para que este parasse de ladrar. Ethan chegou finalmente ao quarto onde se encontrava Zóia. Uma belíssima dama deitada na cama, adormecida. Fora vencida pelo cansaço. Levemente, Ethan passa a mão pelo rosto dela... Suavemente, os seus lábios vão ao encontro dos de Zóia. Depois, sussurrou ao ouvido dela:
-Não via o seu belo rosto adormecido desde aquela noite...
Muito rápido, Zóia dá um salto e grita na sua respiração ofegante.
Arrombando a porta, aparece o pai de Zóia de caçadeira na mão:
-Afaste-se da minha filha, ou eu disparo, jovem!
Ethan olha para Zóia e calmamente diz:
-Agora eu sei onde a minha donzela está...
-Isso quer dizer que vai contar ao meu tio e virá buscar-me, não é verdade? -Concluíra Zóia na sua respiração acelerada entre soluços. -Eu odeio-o tanto!
O Sr.Dail pegou em Ethan e expulsou-o violentamente do quarto e em seguida da casa. Apontando-lhe a caçadeira disse:
-Não admito que façam mal á minha família! Se voltar cá, arrepender-se-á, jovem!
Dito isto, deu um tiro no ar, deixando Ethan muito desconfortável.

Dias e dias passaram, e em certa manhã, tio Morris apareceu para levar Zóia:
-O contrato foi este! Eu cuidaria das duas! Uma já foi, mas a outra ainda cá está, e enquanto estiver, pertence-me!
"Talvez fosse melhor eu não estar cá... Talvez eu deva ir ter com a Cindy... -pensou Zóia.

Foi obrigada a ir para a mansão Morris e casar com Ethan.
Catherin estava a prepará-la para a cerimónia. Olhava-a preocupada. Zóia parecia uma morta viva, pálida sem emoção nos olhos, sem reação como se fosse um corpo sem alma...

02/07/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 9)

Clica aqui para ler a oitava parte


Passaram-se dias e a Cindy não dava sinais de melhora.
A sua saúde era frágil e voltara a ter a doença que teve á dois meses atrás quando saiu da pradaria.
Zóia passava os dias e as noites á beira da cama da pequenita. A febre não descia, Cindy sentia calor, mas estava a tremer e a bater os dentes. Dia após dia ela parecia piorar...
O estado deprimente de Zóia por causa de Ethan era tal que ela entrava em pânico naquelas noites em que Cindy gemia de dor.
"Oh Cindy! Desculpa não ter estado junto de ti quando começou a febre... Nessa altura eu estava com..."
Lágrimas de ódio escorriam pelo rosto de Zóia.
"Ele não me amava... Nunca me amou... E como consequência por ser tão ingénua, a minha irmã está a sofrer... Desculpa Cindy... Desculpa!"

Dias passaram, e Cindy acabou por não aguentar mais e faleceu. Zóia, estava agora só no mundo. Longe da pradaria, dos pais, e agora de Cindy... Como irá sobreviver sem amor? Ethan a enganara e lhe demonstrara o que significa ingenuidade.
Agora, ela encontrava-se no funeral. O seu vestido negro e longo demonstrava o seu estado de tristeza. Tio Morris e os seus amigos cordeais também estavam presentes, incluindo Henri e Ethan Othan, mas para Zóia, era como se só ela e o corpo da irmã ali estivessem.
Depois de todos saírem do cemitério, Zóia ainda ficou ajoelhada ao lado do túmulo, a gritar e a chorar desesperadamente:
-Desculpa Cindy! Desculpa não te ter levado para junto dos pais! Desculpa não ter estado contigo no principio da febre! Desculpa, desculpa pincesinha!

Entre soluços e gemidos, uma mão tocou no ombro dela. De seguida, um abraço pelas costas lhe foi dado. Era Ethan:
-Sei qual é a sua dor... Eu tinha apenas três anos quando a minha mãe nos deixou...
-Largue-me! Afaste-se de mim! -Disse baixinho Zóia.
Não tinha forças nem para falar, nem para se afastar de Ethan. Sentia-se fraca e só.
Ethan abraçou-a, desta vez pela frente, de maneira que o rosto de Zóia fosse acarinhado pelo seu peito másculo.
Ela sentia-se quente e protegida, mas uns segundos depois, lembrou-se de que Ethan não a amava e com as forças da adrenalina lhe concedeu bateu no peito dele.
-Odeio-o! Detesto-o com todo o ódio do mundo! -Gritou ela, com as lágrimas a escorrer-lhe pela cara e os olhos cheios de ódio que o seu tom verde virou negro.
-Os seus olhos são lindos...
Ethan beijou-a fortemente e Zóia estendeu a mão, batendo com ela no rosto dele.
-Já disse que o odeio! Mete-me nojo! Não sou tão ingénua duas vezes!
Dito isto, Zóia corre o mais que pode para longe de Ethan. Correu, correu, correu... Quando viu já estar suficientemente longe, descalçou os sapatinhos que lhe atormentavam os pés. Começou a andar calmamente, olhando para o céu:
-És tão bonito... Acolhe bem a minha irmã, quando eu chegar aí certificar-me-ei se ela está  em boas mãos...
Entre soluços e lágrimas, lembrou-se de que a mãe a tivera proibido de chorar. Correu sempre em frente até perder todas as suas forças.
As suas meias brancas estavam agora enlameadas e com aspecto terrível. Tirou-as, ficando praticamente descalça. Olhou mais uma vez para o céu e gritou:
PorquÊ?! Porque me detestais tanto, meu Deus? Porquê...?
~Começou por cair uma pinga de água, depois outra e depois outra, até que uma forte chuva reinou naquel matagal.
-Já não sou filha, já não sou irmã, já não sou amada, e já não sou uma dama! -Grtiou, enquanto rasgava o seu vestido negro e desfazia o seu penteado de cachos dourados.
Deixando os seus sapatos, as meias e pedaços do seu vestido junto a uma rocha, levantou-se e correu de novo para o mais longe possível, sem destino existente.

Amanheceu. Zóia esteve toda a noite a correr, quando se cansava, parava, e depois voltava a correr. Já nem ligou aos ruídos nocturnos e assustadores. Nem sentiu as pedras bicudas estrangularem-lhe os pés, nem as plantas espinhosas e selvagens maltratarem o seu corpo.
Foi mesmo até ao limite. Quando não aguentou mais, deitou-se no chão, por baixo de uma árvore. e ali ficou, com a chuva a acariciar-lhe a cara.
Agora, acordara lentamente com o canto dos pássaros.
Gemeu com os arranhões das pernas e dos pés, e apercebeu-se de que também os braços estavam num estado lastimável.
Levantou-se e passo a passo continuou caminho...


28/06/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 8)

Clica aqui para ler a sétima parte


Cavalgando num cavalo malhado, Ethan atravessa o portão de ferro da mansão do tio Morris:
-Por favor, chamo a presença da Senhorita Zóia Dail. -Afirma com tom sério e grave, Ethan para Steve o mordomo.
Após ser chamada, Zóia cumprimenta Ethan. Este agarra-lhe a mão e puxa-a na direção da saída.
-Avise o Sr. Morris de que a senhorita não jantará na mansão, obrigado. -Mais uma vez, Ethan dirigiu as falas para o mordomo.

Ethan sentou Zóia no seu cavalo malhado e montou também logo atrás dela. Num abanão de redes, o animal obedecera e começara a andar.
-Com cautela Duque... Temos uma dama presente, por isso devemos ir com calma...
Zóia estava tão confusa que nem sabia o que dizer... Ficou então, novamente perdida nos seus pensamentos:
"Para onde me leva? Que medo... o que se passa?"

Poucos minutos depois, chegaram a um prado coberto de flores.
Ethan ajudou a sua dama a desmontar e ambos se sentaram na erva verde e desfrutaram do belo aroma...
-Faz lembrar a minha casa... -Disse ela com os olhos fechados enquanto inspirava o ar constantemente, para sentir o aroma de flores silvestres.
-Passou-se quanto tempo exatamente?
-Tempo de que saí de casa? Um mês e meio, mais ou menos...
-Não... Não é disso que eu estou a falar. -Ethan beijou o rosto de Zóia, e continuou a falar sussurrando. -Daquela noite ofegante, minha donzela...
Rapidamente, Zóia levantou-se e corou. Não sabia o que responder ou o que fazer, então Ethan resolveu tomar a palavra:
-Passou-se pouco de quatro dias... e o meu plano para essa noite não era o que acabou por acontecer...
-Ethan... desculpe! Eu sei.. você não queria... eu...
Ethan calou-a com um beijo e Zóia sentiu-se a voar. Ethan parou de a beijar rapidamente, levantou-se e virou-lhe as costas enquanto despedaçava as pétalas de uma flor:
-Por favor, não me interrompe! Não tenho muita mais coragem para lhe confessar isto...
Nesse mesmo momento, Zóia assustou-se e passaram montes de pensamentos pessimistas na sua mente:
"É agora que ele vai dizer que não me ama... Não! É agora que vai dizer que eu fui uma sem-vergonha naquela noite... Ou pior! Vai dizer que eu não... fui... Meu Deus!"
-Zóia, eu acho que...
-Desculpe! -Zóia caiu de joelhos e cobriu o rosto com as mãos. Mordendo os lábios para não chorar continuou a falar: -Eu não queria obrigar... Foi... foi sem querer! -A sua voz trémula demonstrava o quanto ela estava assustada.
Ethan ajoelhou-se ao lado dela e abraçou-a, tentando acalmá-la.
-Calma, quem tem de pedir perdão, sou eu...
Com o rosto encostado ao peito de Ethan, Zóia começou a ter uma respiração mais calma, começou então a fazer outras perguntas no seu sub-consciente, mas antes de ela conseguir dizer alguma coisa, Ethan apertou-a mais fortemente contra o peito e com voz calma explicou:
-Meu pai só quer que eu case consigo pelo dinheiro que o senhor seu tio pagou...
Bruscamente, Zóia empurrou Ethan e levantou-se.
-O quê?!- Exclamou ela, começando a ficar vermelha de raiva.
-Isso mesmo... Sr.Othan, meu pai, está praticamente na falência, e eu também, obviamente...
-Então.. foi tudo uma mentira? -A voz de Zóia subiu rapidamente de tom. -As cartas, os cavalheirismos, as rosas, o amor... tudo?!
Ethan abraçou-a contra o peito, para tentar acalma-la mais uma vez...
-Sim, uma farsa... mas tudo bem...
Levantando a mão e com um safanão, Zóia bate com toda a força no rosto de Ethan.
-Tudo bem?! Tudo bem?! Não! Para mim não era farça nenhuma! Não era brincadeira! Tratavam-se de duas vidas que iriam transformar-se numa só!
Zóia vira costas e segurando as saias do seu vestido, tenta correr o mais rápido possível para longe de Ethan, mas este alcança-a facilmente agarrando-lhe o braço.
-Largue-me seu vagabundo!
-Não seja assim... Foi só uma farsa...-Foi interrompido por outro estalo de Zóia, e esta estava com uma respiração acelerada de quem vai explodir a qualquer momento...- Zóia...
-Agora é Zóia? Já não sou donzela? Pois nem eu sou donzela nem você é um príncipe! Deixe-me ir embora! Deixei a minha irmã doente em casa, para estar consigo!
-Sabe montar? Pode levar o Duque... é manso...
-Assim o farei, depois, alguém o levará até sua casa, mas nunca mais o quero ver!
-Zóia...

03/06/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 7)

Clica aqui para ler a sexta parte


Após um longo beijo na escuridão da noite, Zóia e Ethan passeavam ás escuras pelo jardim.
Quando a Lua brilhava no céu estrelado, Ethan cobriu os ombros de Zóia com o seu casaco:
-Está demasiado frio, veio em camisa de dormir cá para fora, pode ficar doente...
-Ethan... o que me queria dizer mesmo?
Nesse momento, Ethan parou de andar. Zóia assustou-se pois nem conseguia ver a expressão da cara dele, para saber se ele iria falar coisa boa ou má. Pôs-se a pensar:
"Ele já não quer casar comigo! Quem sabe se isto era um teste? Sou uma maluca que vem para o jardim à meia noite e em camisa de dormir, para não falar da maneira como o abracei de tarde... Pronto, já está noivado acabado... Adeus belo príncipe..."
-Zóia... eu...
Dito isto, Ethan agarrou-a entre os braços e beijou-a.
Lentamente deitaram-se no chão de erva macia e quando deram por si, estavam quase sem roupa e encostados um ao outro...
Ethan parou e afastou-se um pouco:
-Meu Deus! O que eu quase fiz! Por favor... mil perdões minha donzela! Desculpe-me, eu... eu não queria...
Zóia não o deixou acabar, beijou-o e com as suas mãos delicadas começou a explorar o seu corpo musculoso.

Foi uma noite fria, porém, quente, aquecida pelo amor dos dois.
Junto de Ethan, os barulhos que pareciam tão assustadores para Zóia, já não eram nada. Era como se só eles os dois existissem.

Amanheceu, os raios de sol iluminaram os olhos claros de Ethan. Ele olhou para baixo e viu o rosto de Zóia encostado ao seu peito.
"Como é bela... meu lindo botão de rosa que acabara de brotar..." -Pensava ele, enquanto os seus dedos brincavam com os fios dourados do cabelo de Zóia.
Descolou-a de si, e com um suave beijo despertou-a.
Zóia, abriu os olhos, espreguiçou-se e ao olhar para Ethan deu um grito.
-Desculpe... Eu avisei que era melhor não... -Disse Ethan, enquanto Zóia se cobria com a camisa de dormir. -Não quero que tenha vergonha. Futuramente seremos marido e mulher. Só acho que isto estava errado porque foi antes do casamento, e eu tenho... uma coisa importante a dizer...
-Ah... Agora não! Devo ir... Antes que meu tio acorde...
Ethan levanta-se e ajuda Zóia a vestir a camisa de dormir. Dá-lhe um beijo de despedida e não tira o olhar dela até ela entrar de novo pela porta.

O dia passou-se, e o jantar foi muito intenso. Pois o tio Morris fez questão de convidar Ethan e Henri Othan para comerem o javali que haviam enviado.
-Como vai o noivado? Tem feito tudo direito, jovem Othan? -Perguntou Tio Morris.
-S-sim, senhor! Tudo com a melhor das intenções!
-Entendo... E quantos filhos pretendem ter?
Ao ouvir tal coisa, Ethan engasga-se, tossindo fortemente. Zóia levanta-se e estende-lhe um copo com água.
-F-filhos?! Exclamou Ethan, com o rosto ainda vermelho por se ter engasgado.
-Pois com certeza! Quantos? -Insistiu tio Morris com ar decidido.
Percebendo que Ethan se assustara com aquela pergunta, Zóia resolveu mudar de assunto:
-Por falar nisso... Eu gostaria de levar a minha irmã comigo quando tiver a minha mansão com Ethan...
-Fora de questão! Cindy fica aqui! Foi o acordo com seus pais!

O resto do jantar fora mais passífico, o resto das conversas foram entre Henri Othan e tio Morris sobre assuntos financeiros.
Agora, Zóia pensava na noite escaldante que tivera:
"Foi lindo! Mas... Ethan não queria... Eu não deveria... E aquela historia de filhos... Pareceu que ele não quer... Ele deve pensar que sou uma... Oh Meu Deus!"
Catherin entrou no quarto de Zóia com toalhas nos braços.
-Vamos, menina! Tomar um banho.
-Catherin, ajude-me...
-Diga senhorita.
Zóia abriu a boca, mas exitou:
"Espera... não posso! Não vou contar, é um segredo! Um segredo só meu e de Ethan..." -Pensou ela.
-Catherin enviarei outra carta para Ethan ainda hoje.
-Sim, menina! Agora, para o banho...

27/05/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 6)



-Que horas são? -Perguntara Zóia, num tom de impaciência e ansiedade.
-Dezassete e treze, menina... -Respondera Catherin com a sua voz descontraída, que tentava acalmar Zóia. -O menino vem já, de certo que tem uma boa desculpa para o seu atraso. Ethan mandara uma carta de que antes de ir caçar com o pai, visitaria Zóia.

-Boas tardes. Desejo falar com a senhorita Zóia...
Nesse mesmo momento, Zóia desceu as escadas a correr e atirou-se para os braços de Ethan. Apanhado desprevenido, Ethan recuou uns passos, quase se desequilibrando.
-Minha donzela... passou-se quanto tempo? Uma, duas semanas?
-S-sim... Duas semanas desde aquele nosso ultimo encontro... Recebeu todas as minhas cartas? -Zóia sentia-se quente e protegida no meio dos braços de Ethan.
"Meu Deus!" -Pensava Zóia. -"Como fui capaz de correr para ele desta maneira? Não é o comportamento de uma dama... Ele vai achar-me uma maluca sem-vergonha..."
Como se lhe lê-se os pensamentos, Ethan acomodou a mente dela com as suas palavras:
-Gostei da maneira como me veio receber... Fez-me sentir desejado.
Ethan apertou-a mais contra o seu corpo, num gesto de carinho, como se a quisesse recompensar daquela atitude que tomara. Sentia-a a tremer, não a queria assustar, mas queria que ela se sentisse calma á vontade, e protegida com ele.
-Por favor! Francamente! Só depois do casamento! -Exclamou tio Morris enquanto os separava bruscamente. -Deviam ter vergonha na cara! E mesmo depois de casados, não devem fazer este tipo de coisa no meio do publico!
-Tenha calma... eu já estou de saída... vim perguntar ao senhor Morris se posso enviar encomendas para aqui... -Perguntou Ethan, enquanto estendia a mão para cumprimentar tio Morris. Talvez fosse um truque para fugir ao assunto do abraço. -É que vou agora mesmo caçar com o meu pai, e pretendia enviar alguma carne...
-Muito bem! Envie, receberei com muito gosto... Vai caçar o quê? Codornizes, javalis, coelhos?
-NÃO! -Gritou a voz fina e estridente de Zóia. -Coelhos não! Por favor, Ethan...-Os olhos imploravam, como se fosse chorar a qualquer momento.
-E porque não? -Respondeu friamente tio Morris, com um sorriso maligno na cara. -São até o meu prato favorito! Traga-me seis, por favor, cavalheiro...
Zóia começou a tremer, e algumas lágrimas lhe escorreram pelo rosto a baixo, quase sem se notarem.
Ethan não estava a gostar da atitude do tio:
-Peço perdão. Mas onde vou caçar, não existem tais animais. O senhor meu pai, tem lá uma família de raposas e não pretende colocar coelhos, pois as raposas tratavam de os matar e nós não os poderíamos caçar... -Explicou Ethan, calmamente, com a suga voz grave e serena, que conseguiu confortar Zóia.

Passou-se o dia. Zóia estava a escovar o seu cabelo quando, Catherin chega com uma cesta cheia de rosas meio alaranjadas, como as da mansão Othan.
-São para a senhorita, com cumprimentos do menino.
Muito depressa, Zóia levantasse e pega no cesto das rosas.
-Muito obrigada Catherin!
No meio das belas flores, havia uma carta:


"Santo Deus!" -Pensava Zóia. -"Mas o que faço? Tenho de ir... E se me descobrem? Ou pior... se o meu tio me descobre? Não importa! Amo Ethan! Amor e loucura andam juntos! Irei ter com ele..."

Há meia noite, Zóia levantou-se, abriu a porta, desceu as escadas e saiu pelas traseiras da cozinha.
O jardim estava escuro, e ouviam-se sons que para ela eram assustadores.
Uma mão tocou no ombro de Zóia. Ela estremeceu do susto, virou-se rapidamente e uns lábios tocaram nos seus.
-Boa noite minha donzela. Não se assuste, esse beijo foi só para a impedir de gritar...
-Ethan...
Zóia, aninhou-se nos braços de Ethan, não havia coisa que ela mais gostasse. Com o ouvido colado ao peito másculo de Ethan, Zóia ouvia as rapidas batidas do coração dele. Percebeu que algo o preocupava. Ganhou então coragem de dizer:
-Ethan... Eu o amo! -A sua voz tremula era doce e sincera.
Ele beijou-a e apertou-a mais contra si. Depois mordeu levemente a orelha de Zóia... Ela sentia-se quente, a escaldar... não sabia o que fazer nem o que dizer.
-Perdoe-me, mas tenho algo de importante para lhe dizer... -Sussurrara Ethan ao seu ouvido.


12/05/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 5)

Clica AQUI para ler a quarta parte


Entre trocas de roupa, pó de arroz e muitos pensamentos, Zóia estava ansiosa e ao mesmo tempo assustada pelo encontro marcado com Ethan.
Neste momento, um coche levava a jovem dama para o terreno dos Othan.
Pela entrada da frente, não havia grande espanto, tinha um portão de ferro enorme, mas o do tio Morris era muito mais bonito.
A mansão era enorme.
"É por isso que lhe chamam mansão..." - Pensou Zóia.

Um homem com cabelos brancos e uma farda de mordomo ajudou Zóia a descer do coche.
-Vossa excelência espera pela senhora no salão, por favor, venha. - Avisou o mordomo, fazendo uma solene vénia.
Antes de Zóia poder dizer algo, ou começar a andar, Ethan veio a correr para junto dela.
-Cornelious! Não é senhora, é senhorita! Ainda não é casada, mas não por muito tempo... -Ethan riu.
Notava-se no rosto dele um ar de maroto, como quem diz "Esta é a minha noiva, minha futura esposa."
Gentilmente, Ethan segura a mão de Zóia e diz:
-Está tão corada minha donzela... Não tenha vergonha, venha, vou mostrar-lhe o que esta mansão tem de bom!
Nem entraram em casa, Ethan levou Zóia até o jardim das traseiras.
"Que lindo!" -Pensava Zóia. -"Tantas rosas! Vermelhas, brancas, cor-de-rosa, e há ali umas com tom alaranjado! Nunca tinha visto tais rosas... que bonitas!"
Ethan reparou como Zóia olhava para aquelas rosas alaranjadas. Cortou uma, retirou os espinhos para que não a ferissem e ofereceu-lha.
-Uma flor, para a mais bela flor...
-Oh! O-obrigada! -Aquele sentimento quente voltara ao corpo de Zóia.
-Realmente, você tem a voz mais doce e delicada que já mais ouvi. -Ethan, suavemente passou a mão pela cara de Zóia. Esta ficou imobilizada, e lentamente, Ethan aproximou os seus lábios dos dela. Um beijo longo e quente aconteceu.
Pararam de se beijar, e Ethan olhou olhos nos olhos de Zóia.
Podia ver como ela gostou, podia ver que ela queria mais e podia ver que um sentimento forte os prendia, um contra o outro.
Ele pegou nela ao colo e levou-a para debaixo de uma árvore. Beijou-a de novo, mas desta vez o beijo foi curto.
-Zóia.. não estamos a fazer a coisa certa. Que espécie de cavalheiro sou eu?! Nem a pedi em noivado e já estamos aos beijos, que indelicadeza! Falta de cavalheirismo meu! Perdoe-me doce donzela...
-Ethan... -Zóia estava assustada, mas queria sentir os lábios dele outra vez. Algo de novo despertou nela. Um sentimento, que até agora lhe era desconhecido. - Eu, eu...
-Não diga nada, por favor. -Ethan encostou um dedo nos lábios carnudos de Zóia. -Tenho um pedido a fazer-lhe.
Ethan, tirou do bolso uma caixinha quadrada. Abriu-a e...
-Um anel! Oh... Ethan...
-Não! "Shiu" -Novamente o dedo indicador de Ethan calara os lábios de Zóia.
Após ele colocar gentilmente o anel no dedo de Zóia, começou:
-Minha donzela, quero tê-la só para mim, eu sou um nobre, mas ao seu lado não sou nada. É a deusa desta terra e do meu coração... Ah! Não tenho jeito para isto... Bom, aceita casar comigo?
Os olhos de Ethan brilhavam, no seu rosto havia um sorriso encantador, e sem saber o que fazer, Zóia abre os braços e abraça Ethan. Desta vez, quem estava imobilizado era Ethan. As batidas do coração dela eram sentidas no seu peito másculo. Ali ficaram abraçados durante um bom tempo.

De noite, quando Zóia já estava na sua cama, relembrava com toda a felicidade do mundo, o tempo que passara com Ethan. O jantar foi calmo, na presença de Henri Othan, seu futuro sogro, ela e Ethan não tinham tanta liberdade.
Zóia levantou-se da cama e começou a escrever uma carta:

Depois de fechar a carta num envelope, Zóia beijou-a e colocou o seu doce perfume para que o papel ficasse cheiroso.
-Como eu sou feliz... Ethan eu o amo!

05/05/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 4)



Passaram-se três dias, sempre a mesma rotina. Acordar ás sete da manhã, vestir, tomar o pequeno almoço, estudar sobre o passado da família das oito até ao meio dia, almoçar (tempo e oportunidade de dar um beijinho a Cindy), estudar mais das treze até ás dezassete, e depois, aula de piano até seis e meia da tarde, tomar banho, o que significa mudar de roupa outra vez, e ás vinte em ponto, jantar.
-Amanhã é domingo! -Afirmou tio Morris, com o seu tom de voz grave. -Vai á missa, leve a Cindy consigo e não esqueça de cumprimentar Ethan quando chegar lá.
-Sim, senhor! -Concordou.

Depois do jantar, Zóia sentou-se na secretária do seu quarto, pegou num lápis de carvão e desenhou o rosto de Ethan num papel.
"Oh! Como me lembro de cada centímetro da sua cara..."
Catherin aparece, e Zóia, num movimento rápido e ágil, esconde o pedaço de papel na gaveta.
-Vamos menina! Vestir a camisa de noite... -Sorriu Catherin apercebendo-se de que Zóia estava a esconder algo relacionado com Ethan. -Já pensou em escrever cartas ao menino? Eu própria posso entregá-las em casa dele! O meu marido é o jardineiro da família Othan.
-Oh! -Zóia ficou com uma cara de misto entre espanto e alegria. -Em breve pensarei nisso! -Disse ela esboçando um sorriso deslumbrante, capaz de encher de felicidade qualquer um. -Muito obrigada Catherin!

Logo de manhã, Zóia levanta-se antes de Catherin lhe ir abrir as cortinas. Ela quis acabar o desenho do rosto de Ethan, antes de Catherin chegar, pois sabia que não iria ter tempo para o acabar depois disso.
Catherin espantou-se, mas sem demoras arranjou Zóia, estava com um vestido formal de cor azul escuro, e o seu cabelo estava preso, de modo a ver-se o pescoço e as orelhas.
-A senhorita não tem as orelhas furadas! Temos de tratar disso antes do casamento! -Afirmou Catherin.
-S-sim...

Cindy e Zóia estavam nos bancos da frente na igreja. 
Procurando com os olhos em todo o lado, Zóia não via Ethan em lado nenhum! Ouvia o senhor padre a falar de familia unida e com o coração nas mãos, relembrava a sua... A pequena Cindy sussurrou:
-Mana, quando vamos voltar para casa?
-Não sei... em breve...-Mentiu Zóia, quase a chorar... mas não o iria fazer, prometera á mãe não chorar!

Quando finalmente terminou a missa, Zóia e a sua irmã saíram da igreja, e uma mão tocara no ombro de Zóia, ela estremeceu do susto, virou-se e... era Ethan! Novamente, no seu gesto cordeal, ajoelhou-se e beijou a mão de Zóia.
-Os bons dias, minha donzela. Espero que não se zangue por chamá-la assim...
-Oh... N-não, de todo...! -Zóia sentia-se quente e assustada pela emoção.
-Que linda! -Os olhos de Ethan brilhavam como estrelas numa noite estrelada.
-D-desculpe...?
-Não... é que foi a primeira vez que ouvi a sua voz, achei-a linda!
Zóia corou e a sua irmãnzinha deu uma leve gargalhada.
-Esta será a minha futura cunhada? Como está minha senhora? -Ethan ajoelhou-se perante a pequenita e beijou-lhe a mão.
-Eu não quero beijos! Dê á minha irmã! Ela gosta, passou as noites a sonhar consigo... -Contou Cindy no meio de risadinhas.
-Ai foi? -Ethan olhou para Zóia, que felizmente para Cindy, ela não tivera ouvido nada, ele riu.
"Que belo sorriso" -Pensara Zóia.
Ethan levantou-se, segurou a mão de Zóia e olhando-a nos olhos, disse:
-Minha donzela, permite que a convide para almoçar na mansão de meu pai?
-Não! -Negou Zóia de seguida, e pensou, minutos depois, que estava a desperdiçar uma oportunidade valiosa e que estava a ser rude... -Quer dizer... tenho... tenho a minha irmã, e seria melhor eu ir sem ela, talvez com... com o meu tio!
Ethan sorriu, e isso fez com que Zóia derretesse por dentro.
-Não tenha vergonha, então vamos mudar os planos. Quero que venha ás dezassete e janta em minha casa, depois acompanhá-la-ei até casa, aceita?
-S-sim! Janta tão cedo... ás cinco da tarde, não é?
-Não! Não janto a essa hora, quero que venha mais cedo! Quero desfrutar da sua companhia antes do jantar, não tenha medo, vou levá-la num passeio, asseguro de que vai gostar!
Os olhos de Ethan brilhavam tanto, que Zóia se sentia mais do que feliz, e num tímido "sim", aceitou o convite.

No regresso a casa, contou o sucedido a Catherin e esta avisou o tio Morris de que a menina não jantava em casa.
"Como será que vai ser o passeio?" -Perguntava-se Zóia em pensamentos...


24/04/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 3)



"Que inferno!" -Pensou Zóia enquanto desfolhava o livro de historia antiga -"Até que é interessante estudar sobre os réis e nobres importantes, mas estar quatro horas seguidas nisto é tortura!"

Dentro de meia hora, Zóia iria conhecer o seu noivo.
Catherin ajudou-a a Mudar de roupa, mais um vestido longo e deslumbrante num tom cor de rosa muito claro que combina com a pele clara da pequena senhorita. Novamente, Catherin escovava-lhe o cabelo cacheado com finos fios cor de oiro, desta vez deixara-lhe o cabelo solto com apenas uma fita a agarrar-lhe as madeixas da frente. Parecia mais velha e madura.
No entanto, Zóia não conseguia parar de mexer as mãos... Amarrotava o vestido no seu colo, e mordia fortemente os seus lábios.
-Não faça isso menina! -Ralhava Catherin, enquanto lhe passava pó de arroz pelas bochechas coradas e sardentas. -Tenha calma, de certo que ele é um grande cavalheiro. Ele é um nobre! Senhorita, pare de morder os lábios para que eu lhe acerte a maquilhagem!
-Sim, senhora! -Disse Zóia com uma voz assustada.

Eram dezasseis e cinquenta e cinco, e Zóia tinha de descer as escadas e ir ao salão apresentar-se, estava pálida! Descia cada degrau com cada expiração. O seu coração batia com uma força imensa...
"E se eu não gostar dele? Ou pior... se ele não gostar de mim?" -Os seus pensamentos não a deixavam descansar nem acalmar-se...

A mão gelada de Zóia tocava no puxador da porta. Ela ouvia o relógio do salão bater as dezassete badaladas e antes de bater a décima-sétima ela abriu a porta.
Zóia estava imóvel. Os três cavalheiros que estavam no dito salão levantaram-se para a cumprimentar.
O tio Morris dá-lhe o braço e acompanha-a até meio do salão.
-Senhorita Zóia Dail, apresento-lhe o Conde Henri Othan e o seu filho Ethan -Afirmou o tio Morris, quase com um sorriso, parecia muito feliz.
Ethan era alto, com um corpo de homem atlético, o seu cabelo era moreno, uns belos olhos claros, cinzentos e brilhantes.
Ele andou na direção de Zóia. Ela sentia uma coisa na barriga que a ameaçava desmaiar de emoção a qualquer momento.
"Que lindo!" -Pensava ela. -"É mesmo como a mãe descrevia os príncipes dos contos de fadas."
O rapaz ajoelhou-se, e num gesto cordial, beijou a mão de Zóia. Naquele momento em que os lábios quentes beijavam a sua mão fria, Zóia imobilizou... Por um momento esqueceu o tio Morris  e o Conde Othan, como se só ela e Ethan estivesse ali.
-Então? -Perguntou o tio Morris a Ethan. -É, ou não é bonita? Eu não minto!
-Sim! De certa forma, o senhor não exagerou quando falou na beleza dela, acho até que elogiou pouco... é de fato muito bonita! -Afirmou Ethan com um belo sorriso nos lábios. -Estou ansioso para descobrir a sua personalidade, donzela.
Zóia não abria a boca, olhava fixamente para aquele cavalheiro encantador. E que bom! Tinha gostado dela...
-Presumo que então, daqui a dois meses... temos casamento! Até lá trataremos de arranjar uma mansão para os noivos viverem! -Concluíra tio Morris.

Deitada na cama, refletia sobre os acontecimentos, depois do tio Morris marcar a data para o casamento, Catherin a levara para um banho, e quando voltou, o magnifico rapaz já tivera ido embora... Ela nem conseguira falar, nem para dizer o quão cedo era a data do casamento.
Só conseguia pensar em Ethan e naquele sorriso que tinham os lábios quentes que tocaram na sua mão...

21/04/2012

Zóia a Mais Bela Jóia (Parte 2)



A viagem foi horrível! Mesmo assim, Zóia esteve sempre com um sorriso no rosto, sem motivo aparente, mas pensava no que viria a seguir, e estava segura de que isso seria bom!
Na paragem, um senhor elegante a esperava:
-É a senhorita Zóia Dail?
-Sou sim! E esta é a minha irmã, o senhor é o meu tio Morris, presumo...
-Não, não! -O homem riu. -Sou Steven, o mordomo. Vim busca-las para as levar confortavelmente para a mansão. As malas, senhorita?
-Estão ali atrás. -Zóia apontou com a o dedo para as malas. Com uma expressão no rosto sorridente, aproximou-se do homem. -Obrigada...
-Para uma menina que cresceu numa aldeia, você é muito bem educada, confesso.
-Ora essa! -Zóia riu e abriu muito os olhos. - Os meus pais deram-me educação.
Steve ajudou Zóia e a pequena Cindy a subir para o coche.

A viagem foi muito agradável, Steve achava a Zóia muito bem disposta e a Zóia achava aquele homem muito simpático e divertido.
Finalmente chegaram, era uma mansão enorme! Um jardim cheio de rosas brancas rodeava a enorme casa e um portão de ferro  dava as boas vindas a Zóia.
Steve levou as meninas e as suas malas até à entrada da mansão. Ordenou à criada que levasse as malas para o quarto de cada uma delas.
-Vou ter um quarto só meu?
-Assim será, senhorita. -Afirmou Steve, esboçando um leve sorriso.

Depois Steve levou-as para uma dimensão onde um homem de cabelos brancos e bigode, estava sentado num cadeirão a fumar o seu cachimbo.
-Aqui estão as meninas, senhor... -Steve virou as costas logo depois de fazer uma vénia, e fexa a porta.
-Muito bem... -O estranho homem tinha uma voz forte e assustadora, pousou o seu cachimbo. -Como se chama mesmo?
-Zóia Dail, meu tio...
-Não me trate por tio! Eu nem a vi nascer! - Respondeu friamente.
-Sim, senhor! -Zóia estava com medo, aquele homem era terrivelmente assustador e carrancudo.
-Que idade tem a senhorita?
-Tenho quinze anos... feitos à pouco de um mês atrás, senhor...
O homem levanta-se repentinamente e abre muito os olhos.
-Quinze?! Já deveria estar casada! Francamente! Tratarei de lhe arranjar um noivo, o mais breve possível!
-Um... um noivo? -Zóia estremeceu... Nunca estivera perto de nenhum rapaz... claro que via o seu pai, mas era pai! E também dava sempre os bons dias ao jovem carteiro, mas nada mais que isso. - Ca...Casamento?
-Sim! -Confirmou o homem, tocando uma sineta. -Catherin! Dê um banho ás senhoritas, e prepare-as como damas para o jantar.
-Com certeza, meu senhor.

Zóia não conseguia pregar olho a noite inteira.
Pensava no jantar assustador que tivera com o tio, cheio de regras e mais regras...
"Onde já se viu? Regras para comer?" - Pensava ela.
Revirou-se na cama, os seus pensamentos também reviraram... "Casar?! Como assim? E ainda por cima com uma pessoa que não conhecia! Será o certo?"
A sua cabeça estava cheia de pensamentos, e com eles, uma enorme porção de perguntas.

Chegou a manhã, Catherin entra no quarto de Zóia e abre-lhe as cortinas, o Sol incidia raios na direção do rosto dela.
-Senhorita, o senhor Morris mandou-me informá-la que hoje ás 17 em ponto, receberá o seu noivo. -Disse Catherin com um ar de bom grado.
-Como é ele? -Perguntou Zóia com um sorriso resplandecente logo pela manhã.
-Não sei menina... confesso que nunca o vi, mas desejo que seja alguém jovem, bonito e bondoso, para tomar bem conta de si. A senhorita já passou por bastante... Agora merece algo de bom! - Contribuiu o sorriso para Zóia.

Catherin ajuda a Zóia a vestir-se. Como ela estava deslumbrante! Tinha um belo vestido amarelo, longo, com mangas de balão e uma cinta de seda cor-salmão na sua estreita cintura. Calçou uns sapatinhos e Catherin escovou-lhe o cabelo.
-A senhorita tem um cabelo magnifico! - Elogiou a criada enquanto passava a escova pelos belos fios dourados. -O seu noivo vai encantar-se consigo, tenho a certeza!
Naquele mesmo momento, um milhão de perguntas viajava pela mente da pequena. "Será que ele vai gostar de mim?", "Será que vem de longe?", "Que idade terá?", "Quais serão os seus interesses?", "Será que é boa pessoa?", "O que faço quando o vir?"...
Hora de almoço, a pequena Cindy estava recuperada e estava como habitualmente em casa, a comer sentada ao lado da irmã. Zóia não conseguira comer nada.
"Pobre Cindy, nem está consciente de que não voltará a ver os pais, nem sentir mais aquele aroma a flores silvestres da pradaria..." 

O Sr. Morris comia sentado numa das pontas da mesa. Com o seu ar severo e carrancudo, cara de poucos amigos, sem dizer uma única palavra durante toda a refeição.
Quando se levantou, apenas disse:
-Tente estar bonita e arranjada às 17 em ponto! Nem um minuto a mais, senhorita Zóia!



14/04/2012

Zóia a Mais Bela Jóia



Zóia vivia numa pradaria, era livre de fazer o que quisesse, brincar com os gatos, coelhos e o seu cachorro que o avô lhe dera quando ela tinha apenas 2 anos. Era alta, magra, tinha uns cabelos louros cor de oiro e tinha uns belos olhos verdes, que demonstravam a maturidade dos seus 15 anos.

Aquela menina amava animais, nada a fazia mais feliz do que um bichinho para acariciar... também adorava ler, gostava de entrar em histórias, e fingir ser a personagem principal, como no seu mundo dos sonhos, bem longe da realidade.

Certo dia tudo mudou... os seus pais agora caíram na miséria, e a sua irmãzinha pequena que tanto a adorava, estava com um problema grave de saúde.
Os pais não sabiam o que fazer... recorreram á ultima salvação, entregar as filhas para o único familiar, porém, era um familiar longincuo.
-Tio Morris?! -Perguntara assustada a Zóia - Mas eu nem o conheço, mãe!
-Filha, eu e o teu pai não sabemos mais o que fazer, nós os dois podemos passar sem comer uns dias...
-Eu também posso, mãe! -Gritou a pobre menina, quase com lágrimas nos olhos.
-E a tua irmã? Achas que ela pode? E de certo que não queres que eu a mande para o tio Morris sozinha, uma criança de 5 anos!

Zóia sentou-se num banco, e sem saber o que fazer, levou as mãos á cara e começou a chorar...
A mãe, limpa-lhe as lágrimas e diz:
-Zóia, minha filha, promete-me, nunca mais chorar por estares metida em complicações na vida, sim? Irás ter de enfrentar várias coisas difíceis na vida, não te podes deixar ir a baixo por nenhuma delas, e sempre deverás sorrir.
-Sim, mãe -Compreendeu Zóia, abraçando-se á mãe.

Logo de manhãzinha, Zóia vai para o campo de flores da pradaria para sentir aquele belo aroma de alegria:
-As flores estão sempre felizes! -Disse rindo e rebolando no prado.
O pai de Zóia chamou-a desde a porta de casa. Sentou-se e pegou nas mãos da filha.
-Zóia, o teu tio Morris não é uma pessoa alegre... ele... como hei de dizer? Bom, a única coisa com que ele se dá bem é com a sua conta do banco...
-Pai, fala-me mais dele, por favor...
-Está bem, ele aceitou cuidar de ti e da tua irmã como se fossem filhas dele, mas teriam de aprender a comportarem-se como damas. Zóia, vais aprender a viver na sociedade aristocrata. Terás de fazer de tudo o que o teu tio te mandar, incluindo... nunca mais... nunca mais voltar á pradaria...
-O quê?! -A menina ficou aterrorizada -Não! Isso não! Como irei voltar a ver-te, a ti e á mãe? Como?
-Não poderás voltar a ver-nos... Mas é melhor para ti e para a tua irmã, Cindy...
-Nunca é o melhor para os filhos, separarem-se dos seus pais! Não quero!
-Recordar-nos-ás no teu coração. Vais receber educação como se fosses uma princesa, vais ser bem alimentada, a tua irmã ficará curada, vais ter estudos, como vês, é uma vida muito melhor do que aquela que eu e a tua mãe te poderíamos alguma vez dar.
-Mas pai...
-Partirás com a tua irmã, amanhã de manhã no combóio das 10.
Zóia sai a correr, deita-se sobre a erva, abraçando o seu cachorro, com muita força, para conter as lágrimas.

18/03/2012

O Que A Vida Não Me Dá...


Aparentava ter uns 15 anos... estava a passear á beira mar, os seus pés descalços caminhavam pela areia e de vez em quando uma onda os salpicava de água salgada...
Como era bela aquela menina... tinha uns longos cabelos castanhos e encaracolados, uns olhos castanhos cor de mel, muito vivos e expressivos, que de momento demonstravam tristeza, pois caíam lágrimas deles...
Eu sei o porquê de ela estar assim, o culpado sou eu...

Chamo-me Francisco, tenho 18 anos e amo aquela princesa que caminha lentamente pela beira da água do mar...
Vou contar-vos como tudo aconteceu...

Tinha eu 15 anos, quando mudei de cidade com o meu tio. Os meus pais morreram num acidente de carro, e o meu tio era o único familiar, de mim e do meu irmão mais novo...
Dei-me muito bem na nova escola... e o meu tio sempre me empurrou para criar amizade com a vizinhança...
Bom, eu dava-me bem com os velhotes do lado esquerdo do bairro, mas eu queria mesmo era conhecer a família Cront, que viviam do lado direito... Só me faltava coragem!
Muitas vezes observei da janela do meu quarto a única herdeira deles. Parecia tímida, e muito feminina, uma verdadeira dama. De facto, despertava-me um grande interesse, e uma enorme curiosidade de a conhecer...
Eu não sou tímido... mas com ela era diferente... cada vez que passava por aquela rua, o meu coração estremecia... Cada vez que passava por ela na escola, nem conseguia andar direito, confundia o pé direito com o esquerdo... ficava muito atrapalhado.
Certo dia...

Eram seis da manhã, levei o meu cão de raça Pastor Alemão chamado Dark, a passear á beira mar como faço todos os dias, e lá estava ela... uma bela donzela a caminhar á beira mar...
O Dark corre em direção dela, todo contente e fê-la cair na água...
Eu ri-me, e fui ajuda-la a levantar...
-Peço desculpa, perdoe-me por favor...
-Não faz mal, adoro cães!
Ouvi pela primeira vez a voz dela, tão doce e meiga... 
Sorriu-me ao mesmo tempo que eu a ajudava a levantar... o meu coração batia tão rapidamente que eu nem me lembrava que ela estava toda molhada... 
-Ah... o vestido está todo molhado! Perdão, mil desculpas! Eu compro-lhe um novo!!
-Não, deixe estar... e por favor, vamos tratar-nos por "tu". Chamo-me Miriam Cront, vivo numa mansão aqui perto, qual é o teu nome?
-S...sou o Francisco, mas podes tratar-me por Chico! Eu sei onde vives, és minha vizinha...
-A serio? Nunca tinha reparado... Bom, tenho de ir para casa trocar de roupa antes que apanhe uma gripe...
Eu estava tão atrapalhado... Tirei a minha t-shirt e entreguei-lha para as mãos, fiz uma vénia tão mal amanhada, virei costas e corri para casa, ao mesmo tempo que chamava o Dark...

Foi um dia inesquecível, lembro-me como se fosse ontem e nunca o irei esquecer...
Na escola, sempre que passava por mim, ela sorria-me e cumprimentava-me com um "olá"...
Mas não passava de isso, eu queria algo mais! Queria poder estar com ela todos os dias! Queria que fosse-mos mais inseparáveis! Sabia que tinha de tomar medidas...
Comprei um vestido, e fui até casa dela oferecer-lho... a cara dela quando me viu à porta, nunca me hei-de esquecer... ficou tão feliz que pensei que me ia abraçar, mas não. Suavemente pediu para eu entrar...
E entregou-me a minha t-shirt que lhe emprestei naquele dia.
Lanchámos juntos naquela grande mansão... era tudo tão bonito naquela casa, os candeeiros, as cortinas das janelas, a madeira das mobílias, realmente ela era uma menina rica, como se fosse a princesa do mundo, ou pelo menos do reino... não, ela era a princesa do meu coração!

Depois desse dia, marcámos muitos outros para nos divertir-mos juntos.
Todas as manhãs que me levantava ás seis horas da manhã para levar o Dark a passear á beira mar, eu encontrava a Miriam lá... Parecia que ela vinha de propósito só para me encontrar.
Passávamos as manhãs na praia, e muitas das tardes a fazer compras, ir ao cinema e até chegámos a ir juntos ao parque de diversões.

Passou-se um ano... pedi a Miriam em namoro enquanto passeávamos na praia, no Inverno.
Ela aceitou, abraçou-me, quase a asfixiar-me, com tanta alegria que até chorou!
Todos os dias passávamos o pôr-do-sol juntos, beijávamos-nos com o som das ondas do mar a bater nas rochas...

Passaram-se anos, estávamos juntos e felizes, jurávamos que era para sempre!
Até aquele maldito dia que saí do médico e descobri que tenho um problema...
Tenho cancro na cabeça... pouco tempo de vida, sem saber o que fazer.

Ontem acabei o namoro com a Miriam...
Nem lhe contei o porquê... simplesmente não quero que ela saiba, não quero que ela sofra.
Ela deve odiar-me neste momento.
Escorrem-me lágrimas pela cara a baixo enquanto a observo a caminhar á beira mar...
Ela também está a chorar... porque lhe feri o coração...

O lugar dela não é comigo... o destino assim o quis.
Eu não poderei fazê-la feliz. Espero que em breve um rapaz bonito e sincero cuide bem dela.
Amo-a tanto, com todas as minhas forças, mas não posso ser eu a estar ao lado dela...

Miriam, amo-te, espero que sejas muito feliz, perdoa-me por fazer-te sofrer, mas acredita que sofrerias muito mais se eu ficasse contigo, sabendo o problema que tenho...
Felicidade... é boa enquanto dura.


OBS: Parte desta historia é verídica, deixarei em segredo qual a parte...
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